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Sábado, 18 Maio 2013

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China representa ameaça aos fornecedores do pré-sal PDF Imprimir E-mail
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Petróleo e gás
Qui, 18 de Agosto de 2011 06:14

Entrada de produtos chineses no País, que se intensificou durante o período de recuperação da crise financeira de 2008 (quando o Brasil passou a se tornar alvo de investidores estrangeiros por ser considerado seguro e a grande quantidade de dólares deixou a moeda mais barata) e vem tirando mercado do setor automotivo, agora ameaça também o fornecimento da cadeia de petróleo e gás voltada ao pré-sal.

Uma válvula borboleta (usada para isolar ou regular a vazão de um fluido) fabricada na China, por exemplo, chega no País com preço três vezes menor do que o que se paga somente pela matéria-prima brasileira.

A atração de empresas do Exterior para esse segmento pode provocar, além da perda de mercado para os importados, o deslocamento da indústria local para setores de menor valor agregado. Ou seja, em vez de desenvolver tecnologia, as empresas passam a trabalhar somente com a montagem de produtos.

Outros pontos destacados por levantamento da Organização Nacional da Indústria do Petróleo, divulgado ontem durante evento que abordou os novos desafios para o pré-sal, foram os riscos de captação de financiamento externo atrelado ao suprimento e de criar um cliente único fornecedor da Petrobras.

RAIO X

Existe uma série de fatores que contribuem para esse cenário, que preocupa o setor por desestimular a competitividade da indústria. Dentre eles, os já conhecidos - e criticados - pelas fabricantes de autopeças, como a alta carga tributária, o custo do capital - que inclui empréstimos para capital de giro - e o real valorizado. Todos chamarizes para a importação.

O diretor-geral da Onip, Eloi Fernández y Fernández, destacou que é preciso haver mudanças estruturais na cadeia de petróleo e gás, como a remoção de obstáculos que impeçam o aproveitamento de ganhos em escala, o aumento do ganho de produtividade, o investimento na educação básica e técnica e a redução dos gargalos da infraestrutura. "É preciso, em primeiro lugar, assegurar a desoneração dos investimentos e garantir às empresas locais as mesmas condições de isenção das empresas estrangeiras para o fornecimento de produtos e serviços."

Outras ações igualmente prioritárias são o incentivo à criação de institutos tecnológicos voltados à pesquisa industrial, a simplificação de regras de conteúdo local reduzindo burocracia e custos para a cadeia e operadores e o estímulo, através de premiação, às empresas que superarem metas de conteúdo local.

INVESTIMENTO

Fernández contou que, até 2014, devem ser investidos pela indústria brasileira R$ 611 bilhões, sendo que 62% ou R$ 378,8 bilhões serão provenientes do setor de petróleo e gás. Esse valor corresponderá a metade dos aportes realizados em infraestrutura, de R$ 756 bilhões.

O diretor da Onip diz que 79% do investimento da cadeia deverá partir da Petrobras (US$ 212 bilhões) e, 21% (US$ 58 bilhões), de empresa de fora que têm atividade no País - a maioria é parceira da estatal.

"Nesse período, a demanda por bens e serviços deverá alcançar cerca de R$ 400 bilhões", avisou o executivo.

Crise dos Estados Unidos não vai alterar aportes da estatal

A turbulência norte-americana, que ganhou os holofotes do mundo todo após rebaixamento da nota do rating soberano (que avalia a capacidade de um país honrar suas dívidas) concedida pela agência de risco Standard & Poor's de AAA para AA+, não vai mudar os planos de investimento da Petrobras. Até 2015 estão previstos US$ 224,7 bilhões (R$ 357,2 bilhões).

"Uma crise não pode mudar um plano estratégico de longo prazo", afirmou o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. "No auge da turbulência anterior, anunciamos o investimento de US$ 176 bilhões e foi um escândalo. Mas, ao nosso ver, a crise não cancelou o futuro, as pessoas vão continuar andando de carro, ônibus, avião e navio. A necessidade do combustível não vai acabar e, muito menos, sua demanda."

O aporte integra o objetivo de elevar a produção do pré-sal de 2% para 40% até 2020. "O mercado brasileiro, que é hoje de 2,1 milhões de barris por dia de consumo de derivados de petróleo, vai ultrapassar 3 milhões em 2020", disse Gabrielli.

Número de empregos pode chegar a 2,5 milhões

A cadeia do petróleo e gás emprega, atualmente, em todo o País, 420 mil trabalhadores. A expectativa da Organização Nacional da Indústria do Petróleo é que, com a exploração do pré-sal, esse número salte para 2,5 milhões de postos de trabalho até 2020.

A perspectiva é calcada em três fatores principais. Com o aumento da demanda local com participação constante no fornecimento, espera-se gerar mais 760 mil vagas. A variação da participação no fornecimento deve propiciar a contratação de mais 1,150 milhão e o crescimento da exportação, mais 170 mil.

No entanto, o diretor-geral da Onip, Eloi Fernández y Fernández, alertou, durante evento que discutiu os novos desafios do pré-sal, que se a indústria nacional não tiver subsídios para se tornar competitiva, esse número chegará a, no máximo, 860 mil, cerca de 500 mil a mais do que hoje, em vez de quase 2,1 milhões.

CAPACITAÇÃO

Até lá, segundo o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, 280 mil profissionais da cadeia de fornecimento serão capacitados pelo Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural.

A Petrobras é a principal financiadora deste plano de qualificação, aportando recursos previstos para investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O Prominp conta também com verba do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Os cursos de qualificação são oferecidos por meio de processos de seleção pública que ocorrem, no mínimo, uma vez por ano nos Estados que possuem empreendimentos do setor de petróleo e gás natural. Os candidatos precisam se inscrever no curso desejado e, em seguida, realizar a prova nacional de seleção.

FINANCIAMENTO

Gabrielli anunciou ontem que será disponibilizada uma modalidade de financiamento com juros até 40% menores que os praticados no mercado para facilitar a vida dos fornecedores da cadeia. "Esperamos alcançar 250 mil empresas no País", contou. "O benefício será concedido até o quarto elo da cadeia para as companhias que comprovarem fazer parte dela pelo fato de terem a garantia de pagamento da Petrobras.".

Fonte: Diário do Grande ABC

Comentários (1)Add Comment
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Mais do mesmo: China ameaça nossa indústria!
escrito por Roberto Camargo, novembro 30, 2011
Em comentário anterior, relativo à matéria "EUA e China travam disputa comercial na indústria de energia solar" escrevi sobre a preponderância industrial chinesa, fruto de uma estratégia muito bem arquitetada e posta em prática pelos chineses, há mais de 30 anos atrás.

A milenar sabedoria chinesa já dizia que "não importa a cor do gato, se ele caçar os ratos", e isto pode ser traduzido, no campo político-econômico para: não importa se é capitalismo, socialismo, marxismo-leninismo, ou qualquer outro "ismo", se funcionar no sentido de melhorar o nível socio-econômico da população, retirando-os da miséria em que eles viviam, e ainda vivem, depois de décadas de exploração pelos ingleses e japoneses.

Esta estratégia foi posta em prática por Deng Xiaoping, líder do partido comunista chinês a partir do final da década de 70, e vigente até hoje, em seus pilares fundamentais, o que veio a constituir o chamado "socialismo de mercado" ou "socialismo com características chinesas", que nada mais é do que uma mescla de comunismo no campo político (partido único), mas um capitalismo no campo econômico (propriedade particular), com forte participação do estado nas empresas ("capitalismo de estado").

Os chineses abriram seu mercado para empresas estrangeiras, mas também exigiam a criação de "joint ventures" de modo a absorverem a tecnologia empregada por elas. Por outro lado, investiram pesadamente em educação, de modo que se tornava possível absorver a tecnologia, e depois incrementá-la com inovações chinesas próprias. Exemplos disso são HUAWEI, JAC MOTORS, dentre inúmeros outros casos.

O controle do câmbio é outro pilar fundamental, para manter a competitividade da indústria voltada para as exportações; financiamento estatal a taxas de juros reduzidas; criação de ampla e eficiente rede de transportes voltada para a exportação; baixa carga tributária; baixo nível de regulamentação trabalhista;

Tudo isso combinado, ao longo de mais de 30 anos, resultou no que vemos hoje: dominância dos chineses nos mercados de produtos industriais, tanto de baixo valor agregado quanto de alto valor, ainda mais com a reabsorção ao seu território de Hong Kong, em 2001, antes dominada pelos britânicos.

Como consequência dessa estratégia exitosa de longo prazo assistimos, em todo o mundo, ao avanço da conquista de mercado pelos produtos industriais chineses.

Parabéns a eles. Devemos aprender com eles e adotar algumas medidas semelhantes, isso se nossa indústria conseguir sobreviver até nossas autoridades acordarem para este processo de dominância insustrial chinesa, e resolverem mudar a balança a nosso favor.

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