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Chegada abrupta dos chineses assusta e vai mudar perfil do setor PDF Imprimir E-mail
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Eletricidade
Qua, 19 de Maio de 2010 07:50

Energia: Agressividade mostrada na aquisição dos ativos da Plena preocupa empresas instaladas no país
A agressiva investida chinesa na distribuição de energia no Brasil, demonstrada pela compra, por R$ 3,1 bilhões, de parte das controladas pela Plena Transmissoras, dividiu opiniões. Se por um lado preocupa grupos nacionais que temem uma concorrência predatória no setor considerando o tamanho da State Grid Corporation of China (SGCC), por outro há quem comemore a chegada de um concorrente com muito dinheiro e com acesso a tecnologias que custam mais barato.
César de Barros Pinto, diretor-executivo da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), lembra que os chineses estão fabricando controladores de tensão do transformador, equipamento fundamental em linhas de transmissão, por menos da metade do preço de fabricantes tradicionais europeus. "Tenho a impressão de que quando analisam o negócio eles consideram coisas que os outros não tem, como uma plataforma tecnológica. Quem sabe estão potencializando isso (na oferta)?", questiona Pinto. Para ele, a chegada de mais um investidor estrangeiro no país, com capacidade para financiar a expansão do sistema elétrico, é fato para ser comemorado.
A SGCC comprou 100% das empresas Serra da Mesa Transmissora, Serra Paracatu, Poços de Caldas Transmissora, Ribeirão Preto Transmissora e Itumbiara Transmissora. Das empresas Expansión Transmissão e Espansión Itumbiara Marimbondo foram adquiridos 75%, com os 25% restantes ainda nas mãos da Abengoa Brasil, de origem espanhola.
A empresa chinesa tem 1,5 milhão de empregados e é a décima quinta maior do mundo. A avaliação geral no mercado é que 5% de participação chinesa no mercado brasileiro é uma fatia muito pequena. Por isso eles vão tentar adquirir tudo o que for colocado à venda no Brasil daqui por diante. É aí que os grupos nacionais se preocupam.
"Imagina concorrer com uma empresa gigante, que tem custo de capital baixíssimo. Ela vai devorar tudo que aparecer daqui por diante", afirma o executivo de uma companhia local, que pediu para não ser identificado.
O executivo de uma grande empresa do setor que analisou os ativos da Plena se disse preocupado com a chegada de um concorrente "pesado, com muito dinheiro e sem preocupação com a taxa de retorno dos investimentos". A suspeita quanto à taxa de retorno se deve ao fato de o valor da aquisição - R$ 1,792 bilhão à vista e mais assunção de R$ 1,3 bilhão em dívidas - representar o equivalente a quase oito vezes a soma do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) das sete empresas da Plena.
O lajida é um indicador da geração de caixa desses ativos. Uma pesquisa feita pelo Valor Data mostra que o lajida de todas as sete companhias, considerando apenas 75% da Expansión Transmissão e Expansión Itumbiara Marimbondo, soma R$ 248,3 milhões. Assim, o valor pago à vista de R$ 1,792 bilhão fica pouco acima de 7,2 vezes.
Se esse indicador fosse usado para se estipular, por exemplo, um valor para a Transmissão Paulista (CTEEP) - multiplicando-se o lajida de R$ 1,361 bilhão por oito - o valor ao qual se chega é de R$ 10,891 bilhões. É mais que o valor de mercado da CTEEP em dezembro de 2009, que era de R$ 7,939 bilhões.
Os chineses entraram indiretamente no setor de energia brasileiro no início deste ano, quando o China Investment Corporation (CIC), fundo soberano daquele país constituído com US$ 200 bilhões em reservas, comprou 15% da AES Corporation nos Estados Unidos em um negócio de US$ 1,58 bilhão. No Brasil a empresa controla a Eletropaulo e a AES Tietê. Todos os olhos estarão agora voltados para a estratégia dos chineses no próximo leilão de linhas de transmissão, marcado para 11 de junho em São Paulo.

Fonte: Valor Econômico/ Cláudia Schüffner, do Rio

Comentários (1)Add Comment
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Preparem-se pois os chineses vem aí
escrito por Roberto Camargo Leite Moreira, maio 26, 2011
Vejo com bons olhos a vinda dos chineses ao Brasil, pois a história mostra que no jogo do capitalismo vencem aqueles que conseguem produzir mais, com menor custo, mais eficiência, e isto os chineses vem mostrando que conseguem fazer, apesar de terem um regime misto de comunismo e capitalismo estatal.

Eles investem pesadamente em desenvolvimento de novas tecnologias, em educação de qualidade, em apoio para suas empresas com custo de capital baixo, em reduzidos impostos, enquanto nós temos um quadro diametralmente inverso, ou seja, custo de capital mais caro do mundo, baixo índice de qualidade da educação, pouco investimento de desenvolvimento de novas tecnologias, alta carga tributária. Quem deve vencer a disputa? OS CHINESES. Talvez assim nosso governo e nossa elite aprenda a lição do que deve ser feito para competir em um mundo globalizado.

Além de tudo, os investimentos chineses visam o longo prazo, por isso o fato de eles terem pago 7,2 vezes o LAJIDA nas empresas que adquiriram. Eles tem a visão do horizonte de décadas, não de anos, como nós. Em 7 anos recuperar o investimento é pouco, para quem tem a visão de obter fatias significativas de um mercado formado por ativos que gerarão receitas por várias décadas.

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