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Bioeletricidade vai reforçar a matriz energética no Brasil PDF Imprimir E-mail
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Eletricidade
Sex, 09 de Julho de 2010 06:42

O consumo de energia elétrica no Brasil deve subir 9,4% em 2010, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, acompanhando o avanço econômico do país. As projeções para o período de 2010 a 2018 indicam crescimento médio da demanda de 5,2% ao ano.
Nesse contexto, preparar a infraestrutura e diversificar o perfil da matriz energética nacional para torná-la mais robusta e sustentável é tarefa de todos.
A termogeração a partir do gás natural e carvão são fontes viáveis, mas provocam debate a respeito de sua sustentabilidade. As usinas eólicas participam mais efetivamente na matriz energética e constituem uma nova fonte de energia renovável, mas apresentam incerteza em relação à garantia de produção, pois dependem unicamente do regime de ventos, variável ainda pouco dominada pelos investidores.
Já a geração de energia a partir da biomassa de cana, um recurso de utilização imediata, é fonte renovável e complementar à hídrica. A produção ocorre principalmente no período de seca, quando as usinas apresentam limitações no volume de seus reservatórios de água.
O Brasil tem cerca de 450 usinas de etanol, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar, grande parte na região centro-sul, maior consumidora de energia.
Mas apenas 22% exportam energia para o sistema elétrico, contribuindo com 2% do consumo anual. Essa capacidade deve ser otimizada. É preciso investir para elevar a produção e a eficiência dessas usinas, tornando-as aptas a gerar energia não só para consumo próprio, mas para fornecimento ao sistema nacional.
Segundo estimativa do setor, até a safra de 2017/18, se toda a biomassa de cana disponível for aproveitada, a bioeletricidade gerada será equivalente a um volume de energia próximo ao da usina hidrelétrica de Itaipu.
A geração de energia a partir de biomassa apresenta importantes vantagens: ambientais, com baixos níveis de emissão de gases de efeito estufa; geração descentralizada, elevando a segurança do sistema de fornecimento; e a proximidade dos centros de consumo, reduzindo custos para a população.
Assim, a geração a partir da biomassa se apresenta como a alternativa mais sustentável para assegurar a diversificação das fontes no Sistema Elétrico Nacional. Para que investidores e toda a cadeia produtiva acompanhem o crescimento da demanda, é necessário criar uma política nacional que integre a energia de biomassa na matriz energética.
Também é preciso estruturar uma agenda de médio e longo prazos de leilões para fontes renováveis e estimular condições de financiamento e incentivos fiscais para que a bioenergia se torne, além de limpa, mais competitiva.
JOSÉ CARLOS GRUBISICH é presidente da ETH Bioenergia.

Fonte: FolhadeS.Paulo/JOSÉ CARLOS GRUBISICH/ESPECIAL PARA A FOLHA

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