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Não param de chegar reivindicações ao governo federal em torno do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte. Agora é a vez dos consumidores livres. Eles querem o chamado "alívio de exposição" ao comprar a energia de Belo Monte. Como a usina ficará no Norte do país e o consumo dessas grandes indústrias se concentra em outras regiões, principalmente Sudeste, eles ficam expostos à diferença de preços entre um mercado e outro. Em alguns meses de 2009, por exemplo, essa diferença chegou a até R$ 65,00 por MWh. Segundo explica o presidente da Associação dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Lima, essa diferença acontece porque existe um Preço da Liquidação das Diferenças (PLD - que é como o mercado à vista de energia) para cada submercado de consumo. O PLD é definido por um simulador que leva em conta aspectos como demanda, restrições de transmissão, regime hidrológico e condições de armazenamento. Por isso mesmo cada submercado acaba tendo um preço diferente. Esses submercados são divididos em quatro: Norte, Nordeste, Sudeste/Centro-Oeste e Sul. O valor de R$ 65,91 por MWh foi registrado em março do ano passado, segundo Lima, e foi o maior valor registrado desde janeiro de 2005. Na prática, um consumidor livre que tenha comprado energia no Norte para consumir no Sudeste teria que pagar esse valor na liquidação das diferenças. Segundo representantes dos interessados em participar da licitação, essa é uma preocupação que existe, porque é possível vender até 20% da energia do leilão no mercado livre. Os consórcios querem amarrar essa venda antecipadamente para ter segurança de um retorno maior do investimento. Em Jirau, por exemplo, a venda da energia no mercado ainda não foi concretizada quase dois anos depois de realizado o leilão. Por isso já estão procurando os consumidores livres, que agora reivindicam o alívio de exposição a submercados. É a venda no mercado livre que vai definir melhor remuneração para os investidores do empreendimento. Como o governo definiu um preço-teto que foi considerado baixo para a venda dos 70% da energia que vão para o mercado cativo, a parcela do mercado livre precisa ser melhor remunerada. O primeiro preço divulgado, de R$ 68 o MWh, será alterado com o novo estudo enviado ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ao Tribunal de Contas da União. A EPE ficou de acrescentar o custo ambiental ao projeto, como determinou o próprio TCU. Era esperada uma divulgação do novo valor, o que acabou não acontecendo. As construtoras estão pressionando o governo, pedindo a revisão do valor do investimento. Inicialmente, era de R$ 16 bilhões e a EPE ficou de acrescentar o custo ambiental. Mas existe a possibilidade de a EPE ter elevado ainda mais esse valor chegando a R$ 20 bilhões e a uma tarifa de R$ 75,00. Segundo uma importante fonte de uma construtora, essa pelo menos teria sido a sinalização dada pelo governo f(Fonte: Valor Econômico/Josette Goulart, de São Paulo)
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