|
Estive recentemente no estado de Rondônia para conhecer a UHE Santo Antônio localizada a tão somente sete quilômetros da capital Porto Velho. O senhor Eduardo de Melo Pinto, presidente e CEO da Concessionária Santo Antônio Energia S.A. (Saesa), definiu com propriedade a magnitude da UHE: “Implantar uma usina na Amazônia Legal, buscando a tripla sutentabilidade – social, econômica e ambiental –, é um dos mais instigantes desafios para viabilizar a continuidade do desenvolvimento do país” (Relatório Socioambiental, 2010, pág. 6).
Quando a vemos in loco, determinados detalhes afloram de forma surpreendente, visto que Santo Antônio, sem lugar a dúvidas, será um novo marco no setor das hidrelétricas. Uma maravilha de obra, começando pelo ambiente de trabalho, onde o chamativo é a harmonia – no sentido amplo da palavra. Se de um lado não se vê aquele clima de correria desordenada para cumprir o (apertado) cronograma, igualmente não se sente aquele ambiente policialesco, muito comum em ambientes de grandes aglomerações (em todo tempo que passei na obra, não vi nenhum segurança armado). Tratei esse assunto com alguns colegas que lá estiveram, e eles tiveram a mesma impressão.
Essa harmonia é resultado de um conjunto das boas práticas de governança levadas a cabo por parte da Concessionária (Eletrobras Furnas, Cemig, Odebrecht, A. Gutierrez, FI-FGTS e Banif) em conjunto com o Consórcio Construtor Santo Antônio, responsável pela execução do empreendimento (Odebrecht Engenharia e Construção; Consórcio Santo Antônio Civil – A. Gutierrez e Odebrecht –; e Grupo Industrial do Complexo Rio Madeira – Gicom), que criaram um ambiente propício para a empatia entre os 19.300 Integrantes (10% do sexo feminino em todos os setores), que trabalham atualmente na obra e que resultou numa grande sinergia, que levou aos excelentes resultados observados em Santo Antônio. Do total, 85% são moradores de Porto Velho e região, e os demais 15% de outras regiões, que vivem em confortáveis alojamentos (masculinos e femininos).
Se não fosse essa sinergia, jamais se teriam alcançado os objetivos propostos, entre outros, o esforço hercúleo em antecipar o início da geração em um ano da primeira turbina, prevista para a segunda quinzena de dezembro/11 e daí sucessivamente até 01/11/2015. E, o que é muito importante, com qualidade excepcional.
Como tenho dois temas a tratar, primeiramente, escreverei sobre a geração. No próximo, tratarei dos vários projetos de Sustentabilidade e do programa Acreditar, criado e implantado pela Odebrecht.
Como resultado de um bem estruturado projeto de engenharia e planejamento, a obra foi dividida em quatro grupos de geração independentes, o GG1, com oito turbinas (o primeiro a entrar em operação, na margem direita), os GGs 2 e 3 na margem esquerda e o GG4 no leito do Rio Madeira, com 12 turbinas, cada, totalizando 44 unidades. Os GGs estão em ritmo acelerado, dentro do cronograma previsto no Segundo Termo Aditivo ao contrato de Concessão nº 001/2008 – MME, de 23/08/2010.
Um dos bons indicativos desse compromisso é o concreto. De um total estimado de 3.084.779 m³, já foi lançado (até 27/09/11), um volume de 1.571.890 m³ (50,95%), num espaço de somente dois anos. O recorde de lançamento (24 horas) foi de 5.944,00 m³ (19/11/10, ME+MD). Devido às altas temperaturas da região e aos grandes volumes, foi instalada uma central de gelo – com capacidade de sete toneladas por hora – que é misturado ao concreto para diminuir a retração térmica.
Para regular o nível do reservatório e escoar a água que não será utilizada na geração de energia, foram projetados um vertedouro complementar (VTC) com três comportas (junto ao GG1) e o principal (VTP) com 15 comportas (situado entre os GGs 2/3 e 4), totalmente concluídos, inclusive com as comportas montadas. Importante ressaltar que o VTP isoladamente tem capacidade de vazão de 84 mil metros cúbicos por segundo (m³/s), o dobro da vazão do Rio Madeira no período de cheia.
Com uma potência instalada de 3.150 MW e energia firme de 2.218 MW, ou seja, eficiência de 70,41%, a UHE Santo Antônio está entre as melhores a nível mundial em energia assegurada. Essa eficiência, além de outros fatores, deve-se à utilização de turbinas tipo Bulbo com potência unitária de 71,6 MW, que serão as maiores do mundo (a segunda maior está em Tadami, Japão, 65,8 MW). O diâmetro das turbinas de Santo Antônio com 8,15 metros só perde para Murray Lock, EUA, com 8,41 metros.
Mais uma vitória da engenharia brasileira.
Fonte: Jornal do Brasil/Humberto Viana Guimarães, engenheiro civil e consultor, é formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, com especialização em materiais explosivos, estruturas de concreto, geração de energia e saneamento
|