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Decisão sobre Neoenergia depende só do Planalto PDF Imprimir E-mail
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Sex, 27 de Janeiro de 2012 07:15

A decisão sobre o aumento da participação da companhia espanhola Iberdrola no capital da Neoenergia depende, neste momento, apenas do Palácio do Planalto. As negociações envolvendo a redução da participação da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (BB), quanto a venda da fatia do próprio BB, além da entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no capital da empresa, já foram concluídas. Falta, agora, a aprovação do governo.

"A parte técnica da negociação está finalizada, mas a decisão do governo ainda não foi tomada", disse ao Valor um assessor graduado. "Neste momento, está tudo parado."

A Neoenergia controla as distribuidoras de energia Cosern (que atua no Rio Grande do Norte), Celpe (Pernambuco) e Coelba (Bahia) e um parque gerador de mais de 1.500 MW. Hoje, a Iberdrola detém 39% do capital da empresa. A intenção dos espanhóis é aumentar sua participação acionária para pelo menos 60%, o que lhe daria o direito de controlar a companhia.

A Previ possui atualmente 49,01% do capital da Neoenergia e a participação do Banco do Brasil chega a 11,99%. As negociações entre os diversos grupos empresariais e que já duram um ano, preveem a saída do BB da companhia, a redução da fatia da Previ para 25% e a entrada do BNDES, principal credor da Neoenergia. O BNDESPar, braço de investimento do banco estatal de fomento, não só ingressaria na companhia como passaria a ser um sócio estratégico, com 15% das ações, ganhando, além disso, o direito de veto sobre algumas decisões.

As estimativas de analistas é que, para ter 60% da Neoenergia, a Iberdrola teria que desembolsar pelo menos R$ 5 bilhões. Fontes envolvidas nas conversas consultadas pelo Valor não confirmam esse valor.

As negociações foram difíceis porque, no início, os espanhóis ofereceram valores considerados muito baixos pelos brasileiros, baseados na suposição de que tanto a Previ quanto o BB tinham pressa em fechar o negócio. Nas últimas semanas, a proposta melhorou e chegou-se a um ponto considerado satisfatório pelas partes envolvidas nas tratativas. Já houve entendimento também quanto aos termos do futuro acordo de acionistas que balizará a relação entre os sócios.

O governo brasileiro, porém, não tem pressa e já deixou isso claro para os espanhóis. Causou irritação em Brasília a circulação de informações de que o Palácio do Planalto já havia aprovado a reestruturação acionária da Neoenergia. Para fontes oficiais, os espanhóis estariam interessados em criar um "fato consumado", constrangendo as autoridades brasileiras.

O governo, contou uma fonte, avalia o negócio "como um todo", ou seja, da perspectiva os seus impactos sobre o futuro do setor elétrico. Ademais, a presidente da República Dilma Rousseff, que foi ministra das Minas e Energia no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanha o tema pessoalmente e tem suas próprias opiniões.

Fonte: Valor Econômico/Por Cristiano Romero | De São Paulo
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