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A recente aquisição da participação na Energias de Portugal (EDP) pela chinesa Three Gorges melhorou a liquidez e diminuiu o risco de financiamento do maior grupo industrial português, disse o vice-presidente de Finanças da empresa, Nuno Alves, nesta quinta-feira, incrédulo com o corte do rating de crédito pela Standard & Poor's (S&P).
O diretor disse que a injeção de capital que a Three Gorges fará, de 2 bilhões de euros nos parques eólicos da EDP até 2015, vai melhorar as relações financeiras -de dívida líquida/Ebitda em 0,5 vezes- "e vai melhorar a liquidez no mesmo montante".
Em setembro de 2011, a EDP tinha uma dívida líquida de 16,6 bilhões de euros e uma razão dívida líquida/Ebitda de 4,1 vezes.
"O financiamento de 2 bilhões de euros por parte de uma instituição chinesa aumenta a capacidade líquida da empresa, diminuindo o risco de financiamento", disse Alves, em entrevista à Reuters.
"A compra pela China Three Gorges causou uma redução dos spreads, mas ainda não o suficiente para considerar uma ida ao mercado. Além disso, os compromissos da compra pela empresa chinesa diminuem a necessidade de refinanciamento até, pelo menos, o final de 2014", acrescentou Nuno Alves.
A EDP, que aumentou a sua posição de liquidez em 1 bilhão de euros para 4 bilhões de euros em setembro de 2011, tem afirmado que esta posição é confortável, já que cobre as necessidades de financiamento até o primeiro semestre de 2013.
EDP INCRÉDULA COM S&P
Na quarta-feira, a S&P baixou os ratings de longo e curto prazo da EDP de BBB para BB+, com perspectiva negativa, após a revisão para baixo do rating de Portugal para BB com perspectiva negativa, no dia 13 de janeiro.
O atual rating de longo prazo da EDP está um nível acima do atribuído ao país, o máximo permitido segundo os critérios aplicados pela S&P para entidades não soberanas na zona do Euro.
Alves lembrou que a EDP tinha, em janeiro de 2011, um rating de A- da S&P e que manifestou o seu desacordo quando, na sequência do rebaixamento de Portugal para BBB-, a EDP viu o seu rating baixar dois níveis.
"E, mais uma vez, ficamos incrédulos quando nos comunicaram novo rebaixamento, em dois níveis, em paralelo com Portugal", frisou.
Fonte: O Estado de S.Paulo - Sergio Gonçalves
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