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Biomassa vai acirrar disputa com eólicas PDF Imprimir E-mail
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Energias alternativas
Qui, 26 de Agosto de 2010 08:19

As usinas de açúcar e álcool prometem ir com apetite para os leilões de energia que estão sendo promovidos pelo governo federal desde ontem. Isso significa que são fortes candidatos a rivalizar com os empreendedores de eólicas, que também vão participar da disputa. Ontem, as duas primeiras fases do leilão de reserva registraram a venda de cerca de 100 megawatts médios de energia, todos de usinas que vão fazer cogeração a partir de bagaço de cana de açúcar.
Um dos maiores ofertantes nos leilões de hoje, entre os usineiros, é a Bunge, que habilitou 300 MW. A empresa informou que este será seu primeiro leilão e garante que vai entrar na disputa para comercializar energia e não apenas observar. Dos grandes ofertantes de energia gerada a partir de biomassa, quase todos são de usineiros, com exceção da CPFL Energia, que ontem vendeu 24 MW médios de energia.
São dois os leilões que estão sendo realizados pelo governo federal nesta semana. Um deles é o de "energia de reserva" e é usado para dar garantia ao sistema em caso de atraso ou outras contingências no fornecimento. Este leilão está sendo realizado em três fases, diferenciadas pelo início do prazo de entrega: 2011, 2012 e 2013, respectivamente. As duas primeiras fases aconteceram ontem e a última fase acontece hoje, depois do leilão de fontes alternativas. É neste leilão, conhecido como A-3 (nome faz referência ao prazo de entrega que é daqui três anos - 2013) e que atende a demanda de energia apresentada pelas distribuidoras, que a disputa deve ser acirrada entre eólicas e biomassa. A expectativa é de que o maior volume de megawatts será negociado justamente neste leilão.
O preço-teto do leilão de fontes alternativas é de R$ 167,00 por MWh e a expectativa é de que as eólicas não baixem do preço mínimo verificado no leilão do ano passado em que alguns empreendimentos fecharam o MWh a menos de R$ 140,00. O consultor Gustavo Corrêa, da FG/Agro, diz que os projetos de cogeração estão prontos para fechar a preços entre R$ 140 e R$ 145 por MWh. Esse foi o preço inclusive negociado na segunda fase do leilão de energia de reserva. Se as eólicas forem agressivas demais no preço, eles partem então para a terceira fase do leilão de reserva que acontece em seguida.
O problema é que nesse leilão o montante de megawatts a ser contratado pelo governo federal deve ser bem inferior.
A oferta de usinas de biomassa no leilão de fontes alternativas soma o total, em capacidade instalada, de 2.400 MW e a expectativa é de que 40% disso seja de fato ofertada. Já em eólicas o volume cadastrado é de mais de 10 mil MW. Na biomassa, além da Bunge, estão entre os competidores grandes usinas como Cosan, Bunge, São Martinho, Adecoagro, Dreyfus, Equipav (já sob o comando dos indianos) e ETH Bioenergia. Esta última, inclusive, já vendeu ontem quase metade do potencial que vai disponibilizar nos leilões. A energia foi vendida a um preço de R$ 154 o MWh para entrega a partir de 2011.
A receita total dos oito empreendimentos que negociaram energia ontem superaram os R$ 2 bilhões e vão entrar no caixa das empresas nos próximos 15 anos. O total de investimentos não foi divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Entre os vencedores de ontem estão a CPFL Energia, ETH Bioenergia e Grupo Bertin. A segunda fase do leilão foi mais disputada e o deságio chegou a quase 7%. Já na primeira fase não chegou a 1,5%.

Fonte: Valor Econômico/ Josette Goulart e Eduardo Laguna, de São Paulo

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