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Novo tipo de amendoim é desenvolvido PDF Imprimir E-mail
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Energias alternativas
Qui, 26 de Agosto de 2010 08:23

A região terá a oportunidade de utilizar a recente variedade, voltada para o mercado de óleos combustíveis
Barbalha. Será lançada, até o fim do ano, neste Município, a nova cultivar de amendoim BRS Branco Rasteiro, com alto teor de óleo bruto. Os produtores terão a oportunidade de utilizar a recente variedade, voltada para o mercado de óleos combustíveis e que, futuramente, poderá ser usada como biocombustível. As primeiras sementes foram retiradas do campo experimental da Embrapa, em Barbalha. Os pesquisadores já realizaram o dia de campo e apresentaram o amendoim branco aos produtores, técnicos e secretários de Agricultura da região.
Além do alto teor de óleo, chegando a 52% do alimento, 7% a mais do que o amendoim comum, tem também a vantagem produtiva. Em agricultura de sequeiro, chega a até 3 mil quilos por hectare (ha) e pode ser colhido em até 110 dias. O amendoim branco, segundo o técnico Ramon Araújo de Vasconcelos, agradou em cheio no primeiro momento os agricultores. Ele diz que não foi por acaso o lançamento das sementes no Cariri, que também passam pelo mesmo teste em campos experimentais da Embrapa nos estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Outra cultivar já pesquisada de amendoim comum, o BR1, chega a 1.400 quilos por ha, ou seja, o BRS Branco Rasteiro rende mais do que o dobro da produção. Mas há uma pequena diferença no sabor do grão, pelo alto teor de óleo, além da cor branca e por ser pouco maior.
Segundo o técnico, é justamente para diferenciar o tipo de semente. Porém, a média regional tem sido de até 800 quilos. Esse resultado, explica ele, é o cruzamento de BR1 já produzido na região, com o amendoim rasteiro, do Sul do Brasil.
São até quatro sementes por vargem. No Sul do País, normalmente, são duas. Outro bom resultado desse trabalho, de acordo com Ramon Vasconcelos, é que, normalmente, o rendimento chega a 75% em casca e do comum 65%. No campo experimental de Barbalha os primeiros resultados da pesquisa foram obtidos a partir do plantio em uma área de pouco menos de 1 ha.
Para Ramon, a cultura se adequa bem ao Nordeste brasileiro, por conta do período chuvoso, dentro do intervalo necessário para se ter uma produção satisfatória. O direcionamento da produtividade para a indústria chega a ser vantajosa. O alto teor de ácidos graxos, ressalta o técnico, dá mais qualidade e durabilidade ao óleo, conservando o produto, naturalmente. "O óleo não fica rançoso e permanece em seu estado natural por mais tempo", enfatiza. Além se ser uma planta resistente à seca e doenças nas folhas.
Como forma de buscar alternativas para o futuro, o trabalho partiu do interesse da Petrobras e da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). As pesquisas têm à frente a engenheira agrônoma, Roseana Cavalcante, pesquisadora da Unidade responsável pela nova variedade; o engenheiro agrônomo, Tarcísio Gondim, Rosa Maria Mendes e Ramon Vasconcelos e vem sendo feita por meio do Centro Nacional de Pesquisa do Algodão (CNPA), por meio dos campos experimentais.
São mais de sete anos de experimentação. Nesse trabalho, o Cariri se destaca por ser a região de maior produtividade do Estado do Ceará e uma das maiores do Nordeste.
O técnico admite que o resultado destas pesquisas está associado a uma combinação de fatores, levando-se em conta a competência dos pesquisadores e a sorte. O Cariri, com isso, poderá se destacar, além da produtividade, como importante produtor de biocombustível.
Fique por dentro
Área produtora
O Cariri é a região que mais produz amendoim em todo o Estado do Ceará. Chega a até 80% da produção local. Está entre o segundo e o terceiro lugar no Nordeste, disputando espaço com o Sergipe. O maior produtor é o Estado da Bahia. O amendoim é uma cultivar que pode ser utilizada em diversos segmentos. É possível, por exemplo, consumir in natura, cru, torrado ou cozido; produzir pasta, creme, sorvete, salgados, doces; e agora, também, biocombustível, assim como oleoquímicos (produtos produzidos a partir de óleos e derivados).
MAIS INFORMAÇÕES
Campo Experimental da Embrapa/Algodão. Avenida José Bernardino, s/n - km 04, Barbalha - CE
(88) 3532.3031

Fonte: Diário do Nordeste (CE)Elizângela Santos

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