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Foram contratadas 70 centrais eólicas, 12 termelétricas à biomassa e 7 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) O estado que já apresentou o maior potencial eólico instalado no Brasil saiu dos leilões de energia alternativa e de reserva com uma participação de apenas 7,3% entre a potência total contratada. Este foi o desempenho do Ceará, pioneiro no aproveitamento dos ventos para geração de energia elétrica. Os dois certames somam 2.047,8 MW (megawatts) de potência negociada. Os cinco projetos do Estado totalizam 150 MW e foram contratados pelo 2º leilão de fontes alternativas (A-3). No A-3, o Ceará concorria com 92 projetos habilitados. No 3º leilão de energia de reserva, nenhum projeto do Estado venceu. Neste, o Ceará tinha 96 projetos habilitados na categoria energia eólica. Os projetos contratados são Vento Formoso e Vento do Parazinho, em Ubajara, Ventos do Morro do Chapéu, Ventos de Tianguá e Ventos de Tianguá Norte, em Tianguá, municípios na região da Ibiapaba. O presidente da Câmara Setorial de Energia Eólica, ligada a Agência de Desenvolvimento do Estado (Adece), e também diretor da RM Energia, Adão Linhares Muniz, sentencia o resultado dos leilões como "o fracasso do Ceará". Para ele, representa um descuido do governo do Estado na continuidade do trabalho de atração de projetos eólicos. "O Estado ficou nessa de ser o pioneiro, de ter os melhores ventos, o maior potencial eólico, mas faltou o trabalho de formiguinha de atração de investidores, de consolidação de custos, de capacitação de mão-de-obra, de oferecer incentivos". Muniz destaca que o principal motivo que desmotivou o investidor no Estado foi o custo da conexão da usina eólica com a rede de distribuição de energia elétrica. "O alto custo das linhas de transmissão requer um incentivo do governo para melhorar a infraestrutura para interligar a usina à rede". Outro ponto que precisa ser trabalho pelo governo, segundo Muniz, é atualizar o Pro-eólica, que prevê leis de incentivos para desenvolver o setor. "O Rio Grande do Norte soube fazer o trabalho, um estado que era segundo lugar em atração. O Ceará partiu na frente, é pioneiro, se destacou, fez o atlas eólico, mostrou que tem potencial eólico, mas faltou a persistência desse trabalho por parte do governo. Não adianta ter feito tudo isso e sentar. É preciso atualizar e melhorar os incentivos em atração de energia renovável". De acordo com ele, a grande dificuldade não é o meio ambiente. Ele, no entanto, reconhece: "O Ceará é o único lugar no mundo com resistência do Ministério Público local em relação a eólica". O diretor executivo da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Pedro Perrelli, prefere não comentar o resultado do Ceará e diz apenas que cada estado tem "situações diferenciadas". Entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, ele aponta como diferenças as áreas dos estados e as condições de licenciamento ambiental. "A área do Rio Grande do Norte é menor, ou seja, a distância para linhas de transmissão é menor, o que baixa o custo para interligar", compara Pedro Perrelli. "Cada estado é soberano para definir o licenciamento. No Ceará, há movimentos transmitem insegurança ou até medo ao investidor". O estado potiguar liderou os resultados dos dois leilões. No A-3 garantiu 30 projetos, que somam 817,4 MW. No de reserva, foram nove projetos que totalizam 247,2 MW. Juntos, a participação é de 52%. A Bahia saiu em segundo lugar com 16 projetos nos dois certames, somando 587,4 MW e uma fatia de 28,7% no resultado total. O Rio Grande do Sul ficou em terceiro, com 10 projetos, 245,8 MW e 12% de participação. Goiás é o quarto (191 MW), seguido por Ceará (150 MW), São Paulo (356,9 MW), Mato Grosso do Sul (126 MW), Tocantins (80 MW), Santa Catarina (29,9 MW), Minas Gerais (21 MW), Mato Grosso (20,6 MW), e Paraná (19 MW). Os leilões, realizados na quarta e quinta-feira passadas, resultaram na contratação de 2.892,2 MW de potência instalada. Em volume de energia, essa capacidade corresponde a 1.159,4 MWmédios. No geral, foram contratadas 70 centrais eólicas, 12 termelétricas à biomassa e 7 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Os 89 projetos receberão investimentos de aproximadamente R$ 9,7 bilhões.
Fonte: Diário do Nordeste (CE)/CAROL DE CASTRO
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