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Etanol começa a recuperar espaço nos tanques PDF Imprimir E-mail
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Energias alternativas
Qui, 02 de Setembro de 2010 07:46

Com preços até 30% menores do que os registrados no pico de alta de janeiro deste ano, o etanol começa a recuperar seu espaço no tanque dos veículos brasileiros. Em julho, o consumo de álcool hidratado ainda ficou 8,9% abaixo de igual mês de 2009, mas continua avançando. A expectativa do mercado é de que até o fim do ano as vendas de hidratado se equiparem às de 2009, quando os preços muito baixos do etanol estimularam o consumo. O aumento da frota flex continua sustentando o crescimento da demanda.

Em julho, foram consumidos 1,31 bilhão de litros de hidratado no país, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), ante os 1,44 bilhão de julho de 2009. No acumulado do ano, o consumo foi de 7,9 bilhões de litros, retração de 13,9%. O ritmo de queda, porém, já diminui.

O desempenho reforça o comportamento do consumidor que tem carros flex e deixa de abastecer com etanol quando o preço atinge 70% do valor da gasolina, diz Alísio Mendes Vaz, vice-presidente executivo do do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom).

Em janeiro deste ano, os preços do etanol tiveram forte alta nas usinas e nos postos levando o consumidor a optar pela gasolina. Na época, a reação brusca pegou despreparados distribuidoras e postos de gasolina que precisaram fazer malabarismos para atender o maior consumo de gasolina.

De 1,5 bilhão de litros de hidratado em dezembro de 2009, o consumo no país recuou para 994 milhões de litros em janeiro e para 813 milhões em fevereiro. A recuperação começou após março deste ano, ainda assim, a passos lentos: até agora, nenhum mês de 2010 superou o consumo do mês equivalente de 2009.

"Ao compararmos os dados de 2010 com os de 2009 é preciso considerar que no ano passado o preço estava muito baixo e nada remunerador às usinas, o que provocou um forte estímulo ao consumo", lembra Vaz.

São Paulo, o maior Estado consumidor de etanol do país, está entre os que mais se recuperaram da queda do início do ano. O consumo de janeiro a julho foi de 4,4 bilhões de litros, 8,3% abaixo de igual período de 2009. Mas desde maio, vem sendo muito semelhante ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

Em agosto, a tendência é de alta na demanda. Assim como ocorreu em julho, o preço médio do litro do etanol no Estado foi mais competitivo que o da gasolina. No mês passado, o preço médio foi de R$ 1,387, o equivalente a 57% do preço da gasolina, relação que em julho foi de 55%, segundo dados da ANP.

A relação em Goiás é semelhante. O Estado está entre os poucos nos quais o consumo de etanol subiu em relação a 2009. Foram 438 milhões de litros entre janeiro e julho deste ano, 6,5% mais do que em igual período do ano passado. O litro do etanol em Goiás está valendo, em média, R$ 1,376, 57,2% do valor da gasolina. Em julho, essa relação já era e 56%. "As revendas do Estado entraram em disputa acirrada por preços, o que contribuiu para reduzir os do etanol ao consumidor", diz André Luiz Lins da Rocha, presidente do Sindicato da Indústria de Açúcar e Álcool de Goiás.

Em Minas Gerais, outro importante produtor de etanol, a queda de consumo até julho foi de 34%, para 453 milhões de litros. "Só teremos uma recuperação no próximo ano, quando quando será aumentado o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da gasolina para 26% e o do etanol reduzido para 20%", diz Luiz Custódio Martins, presidente do sindicato que representa as usinas do Estado (Siamig). Na média, o litro do etanol em Minas equivale a 70% do preço da gasolina.

Fonte: Valor Econômico/Fabiana Batista, de São Paulo

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