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Eike constrói a primeira usina solar comercial do país PDF Imprimir E-mail
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Energias alternativas
Dom, 05 de Setembro de 2010 23:07

Investimento de R$ 10 milhões ocorre no Ceará, porém expansão esbarra no custo de importação de equipamento

Produzir energia solar custa até seis vezes mais do que a geração hidrelétrica; setor cobra incentivos do governo

DO RIO - A MPX, do empresário Eike Batista, vai construir a primeira usina solar comercial do país, em Tauá (Ceará).
Serão investidos R$ 10 milhões para a instalação de 1 MW (megawatt) de capacidade, que permitirá abastecer 1.500 residências a partir do ano que vem.
A empresa já entrou com pedido na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para poder operar até 5 MW, o que deve acontecer em até dois anos.
Os planos da MPX preveem ter uma capacidade instalada de até 50 MW em outros projetos. Esse objetivo, porém, ainda esbarra nos custos da energia solar, devido aos equipamentos caros -que só podem ser comprados no exterior.
A usina pioneira não indica que o aproveitamento da luz solar para gerar energia esteja finalmente deslanchando no país. Faltam projetos e sobram reclamações no setor, que cobra do governo incentivos para desenvolver o mercado.
Produzir energia solar custa até seis vezes mais do que a geração hidrelétrica. O custo com energia solar varia entre R$ 500 e R$ 600 por megawatt-hora. Representa até quatro vezes mais do que o preço da energia eólica, outra fonte limpa e renovável. O megawatt-hora da energia oriunda dos ventos varia entre R$ 150 e R$ 200.
A MPX obteve incentivos do governo do Ceará que possibilitaram a construção da unidade. "Mas precisamos ter escala. No mundo, a tecnologia solar vem avançando muito, com incentivos e pesquisa", afirma Marcus Temke, diretor de operações e implantação da MPX.

CUSTO
Para o presidente da Abeama (Associação Brasileira de Energias Renováveis e Meio Ambiente), Ruberval Baldini, o custo da energia solar pode ficar no mesmo patamar da energia eólica, em franca expansão. Mas isso, ressalta, não vai acontecer de forma natural.
"O Brasil tem feito de tudo para que as energias renováveis caminhem sozinhas. O próprio governo diz que é necessário que a tarifa caia para os projetos saírem do papel. Isso só vai acontecer se o governo agir para que os preços caiam", observa.
Produtores chineses de equipamentos têm interesse em se instalar no país. A vinda deles, porém, está condicionada à demanda por material ligado à geração solar.
Temke lembra que há investidores estrangeiros com intenção de estabelecer parcerias, de olho na obtenção de créditos de carbono para mitigar a emissão de gases em outros países.
Apesar de ser o segundo lugar do planeta com maior incidência de raios solares, o Brasil está muito distante da Espanha e da Alemanha, cujas capacidades instaladas em energia solar superam os 2.000 MW. "Estamos 20 anos atrasados na energia solar", sentencia Baldini.
Mauricio Arouca, especialista da Coppe/UFRJ, diz ser um contrassenso o Brasil não aproveitar sua condição privilegiada. Lembra que os custos da indústria, em geral, vêm caindo 15% a cada ano.
"Temos aqui apenas testes e casos em regiões bastante isoladas", afirma Arouca.

Fonte: Folha de S.Paulo/CIRILO JUNIOR

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