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Complexo Eólico Cerro Chato inicia operação PDF Imprimir E-mail
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Energias alternativas
Seg, 06 de Junho de 2011 06:56

A geração de 90 MW, que será a capacidade instalada total do complexo, é suficiente para atender o consumo de aproximadamente 500 mil pessoas – seis vezes a população de Sant’Ana do Livramento, onde as usinas estão sendo instaladas.       


É a primeira empresa do Sistema Eletrobras a produzir energia a partir dos ventos, incrementando em 8,94% a atual capacidade instalada no País, que é de 1.006 megawatts.

Treze anos depois de ter seu parque de geração totalmente privatizado, a Eletrosul Centrais Elétricas S.A., subsidiária da Eletrobras, dá uma reviravolta em sua história recente e entrega ao País os primeiros 10 megawatts (MW) de energia eólica produzidos por uma empresa do Sistema Eletrobras.

A Eletrosul encaminhou ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a Declaração de Atendimento aos Procedimentos de Rede, oficializando a primeira etapa de operação do Complexo Eólico Cerro Chato, em Sant’Ana do Livramento, Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.

“O início da operação do Complexo Eólico Cerro Chato é um marco histórico importantíssimo para a Eletrosul, pois representa a retomada das atividades de geração, privatizadas no fim da década de 90, e o resgate da empresa, em sua competência plena, ao povo brasileiro”, comemorou o presidente da estatal, Eurides Mescolotto.

Nessa primeira etapa, entraram em funcionamento cinco de um total de 15 aerogeradores de um dos três parques que compõem o Complexo. Cada parque terá capacidade para gerar até 30 MW. A energia produzida por esse primeiro circuito já está abastecendo o Sistema Interligado Nacional (SIN). Paralelamente ao início da operação, a Eletrosul mantém as obras em ritmo acelerado para entregar todo o parque gerador, salvo imprevistos, até o final de setembro próximo.

O diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul, Ronaldo dos Santos Custódio, que foi um dos idealizadores do projeto de Cerro Chato, lembra que o prazo programado para entrada em operação comercial de todo complexo, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), era julho de 2012. “No entanto, a parceria com os fornecedores, a proatividade dos técnicos da Eletrosul e o aprimoramento dos processos de construção permitiram antecipar a entrega em 10 meses”, justificou.

A energia que será gerada pelo Complexo Eólico Cerro Chato – consórcio formado pela Eletrosul (90%) e Wobben (10%) - foi comercializada, em dezembro de 2009, no primeiro leilão exclusivo de energia eólica realizado pelo governo federal, e será disponibilizada ao SIN. Ou seja, reforçará o sistema elétrico brasileiro, especialmente na fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, diminuindo a dependência da energia complementar das usinas termelétricas em períodos de picos de demanda e de estiagem, quando a capacidade de geração das hidrelétricas fica comprometida.

A geração de 90 MW, que será a capacidade instalada total do complexo, é suficiente para atender o consumo de aproximadamente 500 mil pessoas – seis vezes a população de Sant’Ana do Livramento, onde as usinas estão sendo instaladas.

O empreendimento – O Complexo Eólico Cerro Chato começou a ser construído em junho de 2010. Em abril deste ano, foi concluída a montagem do primeiro de um total de 45 aerogeradores modelo E-82 de 2000 kW de potência, fabricados pela Wobben/Enercon, que ocuparão uma área de 80 quilômetros quadrados na zona rural de Sant’Ana do Livramento. O investimento é de R$ 400 milhões.

O empreendimento compreende, ainda, uma subestação coletora, que concentrará a energia produzida pelas três usinas e fará a conversão da tensão de 34 quilovolts (kV) para 230 kV. A energia chega até a subestação coletora por uma rede de média tensão subterrânea de 69 quilômetros. Dessa unidade, a energia é transportada por uma linha de transmissão de 24,7 quilômetros de extensão, já concluída, para outra subestação, a Livramento 2, que pertence à Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE). De lá, a energia será distribuída para o SIN. A Subestação Livramento 2 foi ampliada para receber a energia gerada por Cerro Chato.

O engenheiro responsável pela obra, Franklim Fabrício Lago, informou que já foi concluída a concretagem de 31 bases de sustentação dos aerogeradores. Essa é uma das etapas da obra que requer mais atenção. “Não há margem para falhas, pois os trabalhos, uma vez iniciados, não podem ser interrompidos. Isto é, a base deve concretada de forma contínua até ficar pronta, mesmo que isso implique em estender os serviços madrugada adentro.” São usados, em cada base, mais de 500 metros cúbicos de concreto – volume suficiente para construir um prédio de 12 andares.

A montagem dos aerogeradores também é um processo delicado pela dimensão e peso dos segmentos que compõem as torres e dos componentes do aerogerador. É preciso o uso de quatro guindastes, em etapas sequenciais, para içar as peças.

A previsão é de que o primeiro parque de usinas esteja em pleno funcionamento até a primeira semana de julho. O segundo conjunto de usinas deverá ser finalizado e entrar em operação, até o final de agosto, e o terceiro parque gerador, até o final de setembro. “Não é necessário esperar que o parque todo esteja pronto para começar a gerar energia. À medida que são concluídas as montagens dos aerogeradores, eles já são interligados ao sistema de transmissão”, esclareceu Lago.

Investimentos em geração
O governo federal retirou a Eletrosul do Programa Nacional de Desestatização (PND), em 2004, e autorizou a empresa a retomar os investimentos em geração e transmissão. Os valores investidos somente em geração saltaram de R$ 189,9 milhões, em 2008, para R$ 513 milhões, no ano passado – um acréscimo de 170%. Para este ano, estão orçados R$ 723,4 milhões.

Para Mescolotto, a retirada da Eletrosul do PND é uma prova da credibilidade da empresa junto ao governo federal. “O presidente Lula e a então ministra das Minas e Energia e hoje presidenta, Dilma Rousseff, acreditaram que a Eletrosul, por todo seu histórico de contribuição com o desenvolvimento do País, era capaz de se reerguer depois de seu quase desmonte. Estamos retribuindo esse voto de confiança, entregando nosso primeiro empreendimento em geração.”

Além do Complexo Eólico Cerro Chato, a Eletrosul tem vários outros empreendimentos em construção, o que permitirá expandir sua área de atuação, antes restrita aos três estados do Sul e Mato Grosso do Sul. Ainda no Rio Grande do Sul, está sendo construída a Usina Hidrelétrica Passo São João, com capacidade instalada de 77 MW. No Paraná, a empresa está investindo, junto da Companhia Paranaense de Energia (Copel), na construção da Usina Hidrelétrica Mauá, que irá gerar 361 MW. Em Mato Grosso do Sul, está em construção a Usina Hidrelétrica São Domingos (48 MW).

A Eletrosul tem participação, também, na construção da Usina Hidrelétrica Jirau (3.750 MW), em Porto Velho (RO), e na Usina Hidrelétrica Teles Pires (1.800 MW), entre os estados do Pará e Mato Grosso, sem contar os investimentos em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que estão em construção em Santa Catarina.

Sobre a energia eólica
Denomina-se energia eólica a energia cinética contida nas massas de ar em movimento (vento). Seu aproveitamento ocorre por meio da conversão da energia cinética de translação em energia cinética de rotação, com o emprego de turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores, para a geração de eletricidade, ou cataventos (e moinhos), para trabalhos mecânicos como bombeamento d’água.

Assim como a energia hidráulica, a energia eólica é utilizada há milhares de anos com as mesmas finalidades: bombeamento de água, moagem de grãos e outras aplicações que envolvem energia mecânica.

Para a geração de eletricidade, as primeiras tentativas surgiram no final do século XIX, mas somente um século depois, com a crise internacional do petróleo (década de 1970), é que houve interesse e investimentos suficientes para viabilizar o desenvolvimento e aplicação de equipamentos em escala comercial. A primeira turbina eólica comercial ligada à rede elétrica pública foi instalada em 1976, na Dinamarca.

Segundo informações contidas em relatório sobre energia eólica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a maioria dos estudos aponta que o Brasil teria potencial para gerar até 60.000 MW de energia a partir do aproveitamento dos ventos. O Atlas do Potencial Brasileiro, publicado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) aponta um potencial eólico de 143.000 MW, a 50 metros de altura.

O Banco de Informações de Geração da Aneel, atualizado até o dia 27 de maio, aponta a existência de 50 empreendimentos de geração de energia eólica em operação, no Brasil. Em pouco mais de nove anos, a potência instalada saltou de 21 megawatts para 1.006 MW: um aumento de 4.690%. Apesar do acréscimo significativo, a participação das fontes eólicas na matriz energética brasileira ainda é pequena: apenas 0,87%. A Aneel considera a potência fiscalizada (em operação comercial), que é de 998,5 MW, para calcular a participação na matriz.

O mesmo levantamento mostra que há 35 usinas eólicas em construção no País (considerando as três usinas do Complexo Eólico Cerro Chato) que, juntas, poderão produzir até 927,9 MW.

No contexto energético do País, a Eletrosul vem atuando de forma intensa na busca do aproveitamento dos recursos naturais para produção de energia limpa a partir do vento, alinhada com a perspectiva futura de que essa fonte primária irá desempenhar papel preponderante na matriz energética do País. Isso, levando em conta o grande número de projetos eólicos inscritos nos leilões de Energia de Reserva e de Fontes Alternativas de 2009 e 2010 e os preços altamente competitivos dessa fonte, observados nessas licitações.

(Fonte: Eletrosul e Aneel)

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