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A fábrica de pás eólicas, em implantação no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, viabilizada por parceria entre a Aeris Energy e a Suzlon, também deverá produzir uma nova família do produto customizada para as condições atmosféricas brasileiras. Segundo Vitor de Araújo Santos, diretor da Aeris, a empresa possui projeto, sob avaliação da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), para construir um centro de ensaios no local, orçado em R$ 5 milhões, a fim de desenvolver as novas pás e oferecê-las ao mercado, o que pode ocorrer em dois anos.
"A expectativa é de que já no primeiro trimestre deste ano o centro de ensaios fique pronto. Porém, até desenvolvermos um protótipo das pás, obtermos a certificação e colocar o produto a venda leva em torno de dois anos", adiantou.
Segundo ele, a futura família de pás terá grande potencial de otimização, reduzindo custos, peso e, ao mesmo tempo, aumentando a eficiência. "Esse será o nosso diferencial", afirmou.
Atualmente, conta Santos, as pás utilizadas nos aerogeradores instalados nos parques brasileiros seguem as especificações de seus países de origem. "Locais onde as condições dos ventos, diferem da nossa. Daí a necessidade dessa adaptação para ganhar eficiência", fala.
Rede de pesquisa
Para discutir estas e outras questões, como a formação de mão de obra e perspectivas para o setor, é que a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) e a Câmara Setorial do Ceará reuniram-se, ontem, com representantes de universidades e instituições locais para mapear as iniciativas e estudos desenvolvidas no Estado e apresentar a formação de uma rede de pesquisa sobre essa fonte de energia.
"Com o aumento dos investimentos em energia eólica no Brasil, é importante investir em pesquisa e desenvolvimento e isso passa pelas instituições existentes nos estados. Dessa forma, essa rede quer mapear cada uma delas, o que estão fazendo e o grau de avanço afim de sistematizar as informações e, posteriormente, disponibilizá-las para que se aproveite mais os recursos existentes e se crie uma sinergia", destacou a presidente da Abeeólica, Elbia Melo.
Segundo Adão Linhares, presidente da Câmara Setorial, no Ceará, estado pioneiro em energia eólica no País - hoje líder em geração com 518 MW instalados -, a maior preocupação dos atores locais é com a formação de mão de obra.
"Precisamos formar gente em condições de dar continuidade a esse processo", avaliou.
Leilão em março
Para o próximo leilão de energia (A-3), em março próximo, 365 projetos já estão inscritos. "Grande parte deles é para o Nordeste e para o Ceará", contou Elbia. Conforme disse, até 2016, 65 parques devem estar em operação no Estado, com capacidade para três gigawatts de geração.
Fonte: Diário do Nordeste (CE)/ANCHIETA DANTAS JR.
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