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Crédito de carbono deve ter giro de US$ 6 bilhões no Brasil PDF Imprimir E-mail
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Qua, 17 de Março de 2010 08:22

Fernando Teixeira
SÃO PAULO - A BM&F Bovespa realizará no próximo dia 8 de abril o primeiro leilão de créditos de carbono no mercado voluntário. Ao todo serão leiloadas 180 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente (a unidade corresponde a um crédito de carbono), em três lotes de 60 mil cada um. Os dois primeiros lotes têm valor de saída de R$ 10. Para o último lote, o preço será de R$ 12. O maior lance vencerá o leilão on-line, cujo tempo máximo será de 15 minutos. A expectativa da Bolsa é captar acima de R$ 2 milhões.
A expectativa do mercado mundial é de que a venda de créditos (asset) gere US$ 170 milhões este ano, sem a entrada do governo norte-americano na conta. Ano passado, o mundo negociou US$ 125 milhões em CO2 equivalente. Em 2020, a previsão é de movimentar US$ 3 trilhão no mundo e US$ 6 bilhões no Brasil.
Segundo o Banco Mundial, os principais compradores de créditos entre janeiro de 2004 e abril de 2005 foram o Japão (21%), a Holanda (16%), o Reino Unido (12%) e o restante da União Europeia (32%). Em termos de oferta de créditos (volume), a Índia lidera o ranking, com 31%. O Brasil possui 13% do share, o restante da Ásia (inclusive China) tem 14%, e o restante da América Latina, 22%.
Para o banco, o Brasil será beneficiado como vendedor de créditos de carbono e também como alvo de investimentos em projetos engajados com a redução da emissão de gases poluentes, como é o caso, por exemplo, do biodiesel. Pela projeção da instituição, o País poderá ter uma participação de 10% no mercado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), equivalente a US$ 1,3 bilhão em 2007.
Levantamento do mercado aponta que os projetos na área de biocombustíveis equivalem a 50% dos projetos de redução da emissão de carbono no Brasil.
O diretor executivo da Cantor CO2 - empresa de serviços financeiros para os mercados de energia e meio ambiente -, Divaldo Rezende, explica que existem dois grandes mercados mundiais: o voluntário e o regulado. O primeiro é feito por países e empresas que não têm obrigação de reduzir a emissão de CO2, como é o caso do Brasil. Por sua vez, o segundo mercado, o regulado, existe para países e empresas que são obrigados a reduzir os níveis do poluente, nos quais o não-cumprimento da meta implica multa. "A tendência é que o mercado voluntário seja incorporado antes de o mercado estar regulado."
A negociação de contratos futuros de crédito de carbono já ocorre na Bolsa de Chicago e em países como Canadá, República Tcheca, Dinamarca, França, Alemanha, Japão, Holanda, Noruega e Suécia. Futuramente, entrará em vigor o mercado regional europeu, batizado de European Union Emission Trading Scheme.
Rezende destaca que gerar créditos de carbono não é um processo simples. Ele exemplifica citando a construção de uma linha de metrô. "É preciso avaliar se o carbono foi importante ou não para executar a obra. Depois disto há a verificação de entidades independentes, para gerar o título ou não. O passo seguinte é negociar", complementa.
O diretor executivo ressaltou que a cotação do asset caiu durante a crise financeira, porque os bancos se desfizeram dos papéis, com o que o preço despencou. "A cotação era de 33 euros antes da crise; já pela cotação da terça-feira o valor era pouco mais de 11 euros. O preço, porém, deve subir em breve". Segundo ele, hoje, a exportação de carbono já ocupa a 17ª posição na pauta de comércio brasileira.
Leilão
Para o gerente de Produtos da BM&F Bovespa, Guilherme Fagundes, a maior dificuldade de se fazer um leilão deste tipo de ativo era a comprovação de que ele é único e a não-negociação dupla do produto. "Hoje existe um sistema que funciona de forma similar à de um banco, que garante que o título é único", afirma o gerente. De acordo com Fagundes, quando a empresa compradora utiliza o certificado para neutralizar a emissão, o contrato torna-se inválido, e nunca mais será negociado novamente. "É a grande garantia para o comprador e para o emissor."
Outra forma de utilização do título é a negociação em mercados futuros. "Muitos compradores revendem, como se faz com um título, e especulam o preço para ganhar dinheiro", explicou.
Ele projeta que quando o mercado de carbono amadurecer será possível a venda "a termo", não somente "à vista". "Hoje é preciso ter uma cesta de projetos reunidos para que a Bolsa possa efetuar o leilão. Os leilões serão feitos caso a caso, projeto a projeto. A Bovespa garante a transparência e credibilidade." Fagundes afirmou que a documentação dos interessados deve ser entregue em corretoras cadastradas na Bovespa até o dia 5 de abril.
De acordo com a Bovespa, os créditos a serem leiloados foram gerados a partir de nove projetos de biomassa renovável em cerâmicas localizadas em São Paulo (Panorama, Paulicéia), Pará (São Miguel do Guamá), Pernambuco (Lajedo, Paudalho), Sergipe (Itabaiana), Minas Gerais (Ituiutaba) e Rio de Janeiro (Itaboraí). (fonte: DCI)

 

 

Comentários (4)Add Comment
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Engenheiro Naval
escrito por Paulo Rubens Imenes, março 17, 2010
Gostaria de ter acesso a informações relacionadas com o assunto: Crédito de Carbono. Algo didático, para principiantes no assunto, ou ainda, a legislação que encerra a matéria.
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produzimo material 100% reciclados
escrito por Nelson Bertoni, setembro 22, 2010
Como consigo que minha se enquadrar para gerar titlos carbono?
reciclo até agua,plastico,madeira,...11 9905-2166
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Reciclo 100%
escrito por Nelson Bertoni, setembro 22, 2010
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Importância dos Créditos de Carbono
escrito por Roberto Camargo, janeiro 08, 2011
Devemos ter em mente que o incentivo de ordem puramente moral ou ambiental não é suficiente para que alguns agentes econômicos mudem seus processos produtivos, ainda mais quando estes já estiverem consolidados, e a mudança para que ocorra o ajuste de suas práticas ambientais implicar em custos operacionais.
Por isso, um instrumento poderoso de motivação da mudança para um modelo de desenvolvimento mais sustentável é a possibilidade de o projeto auferir alguma espécie de ganho compensatório, que é o caso da concessão de créditos de carbono.
Os créditos de carbono proporcionam a possibilidade de que um projeto ambiental possa adquirir viabilidade econômica adicional, por ser considerado benéfico ao meio ambiente.
Cabe às autoridades do mercado de valores mobiliários, bem como as do meio ambiente, incentivarem a criação e fomento de um mercado onde os créditos de carbono possam ser amplamente negociados, pois promoverá enormes benefícios estratégicos para o Brasil, e acelerará a mudança do nosso modelo de desenvolvimento para um modelo mais amigável ao meio ambiente, e mais sustentável para futuras gerações.

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